quinta-feira, 26 de maio de 2011

Do azul ao vazio

      Entrei no ônibus. O único lugar vago era o que fica de frente para todo mundo, de costas para a frente do ônibus, ao lado de um garotinho. Sentar ou não sentar? Sentei. Logo peguei meu livro e fiquei totalmente dentro do meu mundo. Mais pessoas começaram a entrar.
      Em uma certa parte do capítulo lido, me arrepiei. Era bom demais. O mundo ali em volta não importava tanto assim, enquanto eu estava entrando dentro de outro que estava em minhas mãos.
      Perto de onde tenho que descer, levantei os olhos do livro para ver se havia muita gente ainda. De pé, duas pessoas e ao fundo, um lugar vazio. Fui descendo os olhos pelo ônibus até chegar em uma cadeira. Ali, havia dois olhos me encarando.
      Olhos azuis não são o meu forte, mas aqueles ali me prenderam totalmente. Quando me dei por conta do que estava o encarando, abaixei meus olhos novamente ao livro.
      Alguém apertou o botão para descer, então eu levantei novamente para olhar quem iria fazer isso. Quando olhei para aquele ponto novamente, não havia ninguém. O banco tinha se tornado mais um vazio, sem olhos profundos.
      Quem desceu foi apenas uma menina, que estava sentada mais para trás. Vasculhei o ônibus em busca daqueles olhos, mas não os encontrei.
"Tudo bem" pensei, "acho que andei me impressionando com o que li, melhor deixar para depois". Fechei o livro e o guardei.

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