segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ao H. Castro.

-Só te liguei pra ter a confirmação mesmo, tu sempre me dá conselhos - falou ele.
-Mas tu sabe.. Se conselho fosse bom...
-Sim, eu sei. Mas acho que a gente mais se ajuda do que qualquer outra coisa.
      E é verdade, o ditado popular até tem razão "se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia". Mas tu já parou pra pensar o que tu faria se tu não escutasse outra opinião de alguém que vê a situação de fora? Pois é.
      Ele me liga quando eu menos espero. Já são anos assim. "preciso de um conselho" normalmente é a primeira frase. Eu o ajudo o quanto eu consigo, não gosto de ver ele desistindo de todos os sonhos e sempre saem coisas boas das nossas conversas. "Não sei quanto tempo essa tempestade vai durar, mas se demorar muito pra acabar, eu aprendo a dançar na chuva".
      Houve um tempo em que eu não o suportava, tudo porque nunca tinha dado espaço para que ele conseguisse entrar na minha vida. Com o tempo passei a notar o quanto ele me escutava e levava as coisas que eu aconselhava a sério. Então, quando eu o deixei entrar em minha vida, ganhei um amigo. Tu pode ser um chato, ninguém pode mais te suportar, o mundo pode te virar as costas. Mas não esquece, mesmo longe, eu vou estar aqui.
      

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Do azul ao vazio

      Entrei no ônibus. O único lugar vago era o que fica de frente para todo mundo, de costas para a frente do ônibus, ao lado de um garotinho. Sentar ou não sentar? Sentei. Logo peguei meu livro e fiquei totalmente dentro do meu mundo. Mais pessoas começaram a entrar.
      Em uma certa parte do capítulo lido, me arrepiei. Era bom demais. O mundo ali em volta não importava tanto assim, enquanto eu estava entrando dentro de outro que estava em minhas mãos.
      Perto de onde tenho que descer, levantei os olhos do livro para ver se havia muita gente ainda. De pé, duas pessoas e ao fundo, um lugar vazio. Fui descendo os olhos pelo ônibus até chegar em uma cadeira. Ali, havia dois olhos me encarando.
      Olhos azuis não são o meu forte, mas aqueles ali me prenderam totalmente. Quando me dei por conta do que estava o encarando, abaixei meus olhos novamente ao livro.
      Alguém apertou o botão para descer, então eu levantei novamente para olhar quem iria fazer isso. Quando olhei para aquele ponto novamente, não havia ninguém. O banco tinha se tornado mais um vazio, sem olhos profundos.
      Quem desceu foi apenas uma menina, que estava sentada mais para trás. Vasculhei o ônibus em busca daqueles olhos, mas não os encontrei.
"Tudo bem" pensei, "acho que andei me impressionando com o que li, melhor deixar para depois". Fechei o livro e o guardei.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tudo acaba em diversão.

      Não costumo sair e ir pra lugares que não vão ter muitas pessoas conhecidas, mas foi isso que eu fiz. Começou com a história do blitz, que rendeu muitas risadas. Depois conhecer algumas pessoas diferentes e ter algumas delas sorrindo pra você, fazendo você se sentir bem. Pessoas engraçadas que faziam você não conseguir parar de rir.
      No decorrer da noite, fiquei do ladinho da Deb, coisa boa ficar assim. Tenho orgulho de dizer que ela é uma das amigas que eu sei que vai estar comigo nos momentos bons e ruins. 
      Mais risadas, um quase game-over que me rendeu um sono, deitar na mesa e receber apelidos sem nexo. Dormir meia hora no sofá e quando acordar, parecer que o fim do mundo estava acontecendo na madrugada do dia 22 de maio e não no dia 21. Todo mundo amontoado, as gurias de game-over total, os guris ainda fazendo piada e rindo, mesmo com um clima mais tenso que se instalou, o pessoal ainda "debochava" haha.
      Eu gostei dessa função, mesmo. Como se eu já não fosse louca por noites, mais do que ir pra uma festa. Essa noite foi legal, tenho coisas pra lembrar, coisas pra contar e nenhuma coisa pra me arrepender. 

Esse é o momento

      Percebi que não sou mais assombrada pelo motivo responsável por 90% das crises das adolescentes garotas de hoje em dia. Agora eu tenho certeza, até conversei com o melhor sobre isso e segundo ele "nem demorou tanto" e não demorou mesmo.
      Chegou o momento (ou voltou o momento) em que eu não estou apaixonada, amando e nem nada. Ninguém. Pra mim, só existe a minha família e os meus amigos. Até aquele que já tanto me "perturbou" hoje não ocupa mais tanto dos meus pensamentos, cansei de ficar pensando, simples assim. Hoje é só uma lembrança boa.
      Percebo que a vida é muito mais que ficar chorando por paixões que não deram certo. Que é bem mais que ficar reclamando por gostar da pessoa errada. Que quando for pra chegar a hora, vai chegar. Que não adianta procurar em todos os lugares aqueles olhos, que você só vai encontrar quando parar com essa busca infinita. Que aprender a ficar sozinho é o primeiro passo pra notar que você está crescendo. Que ter amor próprio, acima de amar um cara, é a coisa mais importante. E eu não acho que é egoísmo, não mesmo.
     Acho que nós deveríamos ver que é importante gostar de alguém, mas não vai ser a morte se não der certo. Somos adolescentes, essa fase serve pra gente se ferrar e aprender. E não pensa que tu vai ter só uma decepção amorosa na vida, vai se acostumando. O amor das pessoas é inconstante. Mas não deixa de fazer o amor, a coisa mais importante da vida.
      Esse é o momento, de ler um texto romântico e achar admirável e não dedica-lo a alguém nos meus pensamentos. De escutar música e fazer delas, as minhas músicas e não minha e de mais alguém. De olhar o pôr-do-sol e admira-lo da maneira que ele é, sem ninguém invadindo a minha cabeça. Esse é pra ser o meu momento e de mais ninguém.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

NCC Belém Novo: várias lições.

      Hoje fui ao NCC belém com o pai. O NCC é o Núcleo Comunitário e cultural de belém novo aqui em Porto Alegre. É uma ONG que desenvolve atividades e cursos para a comunidade. O pai faz parte daquilo e resolveu me mostrar hoje. Ele tinha uma reunião e aproveitou pra me deixar por lá pra eu conhecer.
      No início, achei que iria sentar e encher as pessoas de pergunta pra saber como é tudo lá, conhecer melhor. Mas quando começou a chegar as primeiras crianças para as atividades, eu não quis ficar parada. Queria ficar na função, ajudar de alguma maneira.
      Primeiro, ajudei a arrumar as cadeiras para a sessão cinema do pessoal mais novo, limpei as cadeiras com a ajuda de um pessoal que também faz parte da ONG, mas são mais velhos. E daí teve a função de levar as crianças, ajudar a preparar o lanche, servir. Não foi um trabalho pesado, só foi cansativo pra quem está acostumada a ficar em casa sentada.
      Fui chamada de "profe", quando eu disse que não era professora, que poderiam me chamar de Camila, ficaram me olhando meio confusos e uma das meninas arriscou um "tia" e eu achei super engraçado e fui chamada assim.
      O NCC de Belém faz um trabalho maravilhoso. Eles ajudam crianças, adolescentes e até alguns adultos a desenvolverem as atividades que eles mais se interessam, ajudam a comunidade carente. Tem pessoas de todas as idades, até um curso de informática pra terceira idade. Eles também contam com dois alunos deficientes, o que mostra que a força de vontade é tudo pra manter aquilo lá.
      Hoje um dos contribuidores mais importantes foi lá pra reunião. Ele ajuda a ONG financeiramente e viu que o dinheiro realmente era pra alguma coisa importante, as pessoas que administração pensa no bem maior, num todo.
      Você que pode estar lendo isso agora, que tem essa oportunidade. Já parou pra pensar o quanto você tem tudo na vida e só sabe reclamar? Enquanto quem tem nada ou pouco, faz de tudo pra melhorar e tem sempre um sorriso no rosto.
      Muitas vezes eu exagero, reclamo atoa, sem motivo. Mas não é realmente sério. Eu SEI que tenho tudo pra ser feliz e sou. Tenho tudo o que uma pessoa precisa pra viver bem. E a maioria das pessoas que está ao meu lado também tem.
      E vendo os exemplos de hoje, crianças que podem ter tão pouco, ali, rindo, com os braços abertos prontos pra te receber, se divertindo com um filme e pipoca, sendo bem educadas, sabendo colaborar e ajudar, sem reclamar que as coisas estão ruins, porque pra elas aquilo é demais. Pequenas coisas são demais.
      Então pense um pouco a próxima vez que for chorar por bobagem, que for reclamar porque não aconteceu tal coisa, pensa nas pessoas que não tem metade das oportunidades que tu tem. Quando tu souber conviver com isso, ver como a tua vida é maravilhosa mesmo com algumas complicações, tu vai ser bem mais feliz.
      Cada dia eu aprendo mais, hoje não foi diferente. Mesmo sendo do outro lado da cidade, eu já deixei lá meu número e a disponibilidade de ajudar quando eles precisarem. Eu me senti bem lá dentro, eu me sinto bem agora.

domingo, 15 de maio de 2011

@doyoulike

      Após sair de lá para ir ao show, fiquei meio mal humorada. Fiquei pensando demais e meio que me torturando. Cheguei lá e o melhor aguentou a minha crise. 
      Eu só parei de frescura quando eles começaram. Primeiro foi aquele clipe foda demais de "garotos perdidos" depois o show, todas as músicas, as novas, as mais antigas, as minhas músicas favoritas foram todas tocadas.
      Não existe energia ruim que dure em mim quando doyoulike? começa a tocar, nada de ruim pode ser mais forte do que a sensação boa que me invade. Aqueles caras lá em cima do palco me ensinam tanta coisa a cada letra, a cada frase, a cada depoimento da vida.
      Eu desejo tudo de melhor pra eles, que eles tenham muito sucesso, porque eu não conheço nenhuma banda no momento que mereça mais do que eles. É rock, é paz, é amor e é a luta por um mundo melhor, conscientizando as pessoas através da música. 
      E depois desse show da noite de hoje, eu fico sem palavras pra conseguir descrever. Essa noite entrou pra história @doyoulike

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Deu saudade

      Deu saudade de uns anos atrás quando a gente se reunia ali na quadra. Quando ficávamos na rua até mais tarde, quando comprávamos alguma coisa pra comer de tarde. Todo mundo junto. Me deu saudade das gurias aqui ou dos guris jogando futebol. Deu saudade de se reunir ali na praça ou em qualquer canto e ficar fazendo nada.
      Deu saudade de quando todo mundo era menor e a responsabilidade não batia na porta. Ninguém tinha que se mudar ou trabalhar. A única tarefa era estudar e depois descer pra encontrar todo mundo.
      Passar de prédio em prédio e ir gritando e chamando um por um. "te espero na quadra" "vê se não demora" "VAMO DESCEEEE" clássicos. Deu saudade de todo mundo que vivia aqui naquela época e de como era fácil ver o tempo passar sentados em um banco.
      Pena que as coisas não voltam e eu fico só nessa saudade. Foram tempos tão bons, não tem como esquecer.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Tempo

      Hoje eu percebi quanto o tempo é valioso. Eu tinha coisas pra fazer em duas horas e vinte minutos: Almoçar, imprimir as fotos para o trabalho de filosofia, esperar a produtora, ir pra assis brasil, recarregar o tri, se desse tempo tomar um capuccino e chegar as duas horas no curso de inglês. Saí uns minutos mais cedo, só felicidade. Imprimi, almocei e entrei na sala para esperar a produtora. Eles não vieram, só me atrasei. Chegando na parada meu ônibus estava passando, então eu desisti de recarregar o tri e esperei. 
      Bom, outro veio logo atrás e eu cheguei na assis brasil no tempo record de 13 minutos. Mesmo assim, não desisti da ideia de recarregar o tri outro dia e só ficar na padaria durante muito tempo. Mas quando eu cheguei lá, eu tinha cinquenta minutos pra fazer aquilo, então fui-me. Todo o resto colaborou, o banco não estava muito cheio, o treco do tri sem ninguém.
      Cheguei a tempo de ficar quinze minutos sentada lendo três crônicas e apreciando meu capuccino. Tudo bem que depois disso eu perdi uns três minutos da aula de inglês, mas é perdoavel. E eu fiz tudo isso sozinha, o que me deixou com um pouco de orgulho, confesso.
      A verdade é que com o dia de hoje eu aprendi que todo o minuto é válido para alguma coisa. Que o tempo pode ser muito bem aproveitado se a gente souber como usar a nosso favor. Que a gente tem que saber como aproveitar, porque o que aconteceu no minuto passado, pode não voltar. Só façam tudo valer a pena, saibam que é importante estar com quem se gosta e também é importante ter um tempo só pra você.

domingo, 8 de maio de 2011

O meu lugar.

      Viajei no sábado a noite para uma das cidades em que eu mais me sinto bem. Não sei ao certo porque. Vai ver é a porque parte da minha família está lá, ou porque a cidade é menor, o ar parece ser menos poluído, as pessoas parecem ser mais simpáticas. Eu simplesmente amo ir pra Osório.
      A primeira coisa que fizemos quando chegamos lá foi ir ver a Lala, tão linda. Parecia uma princesa, tá falando de tudo, tá enorme. Ainda lembro do dia em que ela nasceu, já fazem dois anos. Naquela época, viajar pra Osório era uma coisa  de se fazer um fim de semana sim e outro não.
-E o teu namorado? - Perguntou o primo Di, abraçado em mim, só pra implicar. 
-Hãn? - me fiz de desentendida, rindo.
-E o teu namorado? - repetiu ele se fazendo de bobo.
-Olha primo, só vou namorar quando a Jeh namorar -
-Ah, vai demorar então - afirmou ele e nós rimos.
      Dessa vez, só fomos jantar no Leco e comer a sagrada batata-frita com o molhinho, não fizemos aquelas coisas que nós sempre faziamos. Ou fizemos, mas eu estava tão acabada da minha noite não dormida de sexta-feira, que quando deitei pra esperar todo mundo, não consegui mais pensar muito. Dormi demais e deixei de fazer as coisas que a gente faz por lá.
-Ela tem uma aranha de estimação - Comentei com a Jeh que estava deitada em mim, sobre sexta e a Ge (aranha da Thalita).
-Eu vi no twitter - disse-me ela.
-É, ela comeu uma mosca.
-Eww, que nojo. Porque ela fez isso?
      Daí eu olhei pra ela e nós começamos a rir. É sempre assim, basta só um olhar pra se entender. E nesse caso, entender a confusão.
-Meu, foi a aranha que comeu a mosca.
      No domingo, festa de criança e aquela arrumação toda, ficar um tempo na função e ver a Lavinia toda falante e feliz, coisa mais linda do meu mundo.
      A volta é algo que eu nunca gostei. Me dá vontade de morar lá, de ficar lá pra sempre. E eu só não faço isso porque eu tenho 16 anos e tenho pessoas que amo aqui.
-Mãe, posso fazer intercâmbio para o interior? - comentei.
-Como tu faria isso?
-Começaria pedindo tranferencia.
-Não, termina o ano aqui comigo.
-É que pra eu tomar essa decisão tem que ser agora que eu to indo embora, eu fico tão bem aqui. E eu sei que quando eu voltar pra minha rotina, fico pensando demais e não iria conseguir largar.
      E é bem assim. Ninguém nunca entendeu o apego que eu tenho em ir pra lá. Até porque, pra todo mundo é só mais uma cidade, que sendo fora de Porto Alegre e redondeza, torna-se interior. 
      Pra mim é muito mais que isso, eu recarrego qualquer energia lá, eu me sinto em paz, eu do tanta risada que as vezes sufoco, eu me sinto bem acima de qualquer coisa existente. O próximo feriado que me aguarde, como eu sentia falta daquilo lá.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Livrar-se dos próprios muros

      Hoje fui criticada por ficar conversando com o professor de filosofia enquanto a de matemática esperava na porta. Eu estava conversando com ele sobre nos fazer pensar. Falei que as vezes parece que ele tem medo de nos ajudar nisso. Ele disse que não, esse é exatamente o objetivo e pediu que eu o ajudasse a fazer outro meio de mostrar isso, se eu achava que ele não estava conseguindo.
      Eu acho o Professor Ernesto extremamente inteligente. E se tu parar pra prestar atenção na aula dele, aprende cada vez mais. Mesmo ele falando e falando, vale a pena.
      E eu acho que a aula de filosofia do quarto periodo é tão importante quanto a aula de matemática do quinto.
-Pra ti é, pra quem quer passar no vestibular prefere a matemática - disse a Ju.
      Eu quero passar no vestibular e assim que decidir o curso, penso nisso. Mas a filosofia com o Ernesto é importante pra nos fazer pensar por si só. Ele tenta isso e ninguém dá o devido valor.
-Eu quero que ele me ajude a tirar os muros dos limites da minha cabeça e eu sei que ele pode fazer isso com todo mundo aqui. - comentei.
      Se fosse escrever sobre tudo que a aula de filosofia do terceiro ano anda me proporcionando, passaria muito tempo escrevendo. Eu sei, nós temos preguiça de pensar e correr atrás. Afinal pra que esse esforço se hoje em dia temos tudo nas mãos? Eu te digo porque: Pra não ser um alienado.
      Fica a dica da imagem que a Jubebs me mandou hoje, em relação ao que o professor fala e ao que eu penso.