O meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus...como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando! - Caio F. Abreu
"Eu já sabia o porquê dele estar assim. Não era difícil de adivinhar o que realmente derrubava aquele garoto. Mesmo assim, eu liguei, queria fazê-lo ficar bem a qualquer custo.
-É tão bom ouvir a tua voz - disse-me ele do outro lado.
Eu queria vê-lo, poder abraçá-lo e dizer que eu estava aqui, tudo ficaria bem. Hora, lugar, dois dias depois.
Havia algo que eu não poderia faltar, mas o encontraria mais tarde, o meu atraso só fez com que meu desespero aumentasse, eu tinha que ir logo, porque tinha que demorar tanto? O telefone tocou.
-Eu vou te esperar, só não demora - Era ele e eu sabia que realmente esperaria.
Ao chegar, procurei por todos os lados e só sosseguei quando encontrei os braços dele. Olhei aqueles olhos e vi ali algo profundo e horrível, poderia ser dor, dor de amor que não tem cura. O sorriso que eu tanto prezava já não aparecia ali fazia dias.
Não deu tempo de falar nada, simplesmente fomos afastados por nossos amigos, mas a gente teria tempo o suficiente mais tarde. E assim foi.
Enquanto todos jantavam, conversavam, riam e brincavam, nós nos isolamos.
Te abracei e decidi não largar, queria te proteger de tudo aquilo que eu via ali, queria tirar aquilo de ti. Conversamos e com o passar do tempo eu te via sorrindo aos poucos, aquilo me fazia tão bem, teu sorriso me fazia tão bem.
Chegou a hora de ir embora e eu simplesmente não queria sair dali, era mais forte que eu ficar junto a ti. Na despedida, fui te abraçar e tu me beijou. Eu poderia explodir a qualquer momento de tanto que eu sorria por dentro, de quanto às malditas "borboletas no estômago" não me deixavam em paz.
-Eu achei que tu não falava sério quando disse que iria me esperar - falou-me ele me abraçando.
-Quem gosta.. faz isso. Do meu jeito, mas eu fiz. - respondi sentindo-me incapaz de dar qualquer outra resposta mais complexa. ”
As vezes eu percebo, que talvez a verdade seja que você ainda me dói.

Nenhum comentário:
Postar um comentário