quarta-feira, 27 de abril de 2011

Preserve a sua natureza

     Salve a Mata Atlântica, não polua mares e rios, proteja o ar que a gente respira, não deixe que ipês e plátanos sejam arrancados para dar passagem a viadutos, não pise na grama, não compre nem venda animais silvestres, mas, sobretudo, preserve sua própria natureza.
      Se você não nasceu para o terno e gravata, para o ar-condicionado e para reuniões, não seja um executivo, não ambicione ter tanto dinheiro, não pegue a trilha errada porque, lá adiante, vai dar preguiça de retornar e começar tudo de novo.
      Se você não se imagina passando o resto da vida ao lado de uma única pessoa, se tem fome de liberdade, se gosta de estar em trânsito e experimentar toda forma de amor, e desconfia que sempre será assim, não importa a idade que tiver, então não case, não siga padrões de comportamento para os quais você suspeita não ter talento.
      Se você sente que tem um amor enorme dentro de você e precisa dividir isso com alguém, se há em você generosidade suficiente para dedicar a maior parte do seu tempo a ensinar, brincar e criar uma pessoa, então não deixe de ter um filho, mesmo que não tenha com quem concebê-lo, mesmo que pense que já perdeu esse trem: perdeu nada, adote uma criança.
      Se você não suporta mais ser governado, se não tem paciência para esperar as coisas acontecerem, se seu voto não tem adiantado grande coisa, se sua cabeça está cheia de idéias simples e praticáveis, se você tem o dom da oratória, muitos amigos, um ótimo caráter e acredita que pode mudar o que está aí, filie-se a um partido, apresente suas soluções.
     Se você não é capaz de ficar com vários caras num único verão, se não faz questão de sair para a balada todas as noites, se sonha em encontrar um amor de verdade, alguém que a compreenda e seja um parceiro pra sempre, então não force outros relacionamentos, lute pelo seu ideal romântico, não se avexe de estar na contramão.
      Não devaste nem polua você mesmo.
 
Martha Medeiros

Reclamações

      Hoje eu notei uma verdade que quero colocar em prática: Nós não temos o direito de reclamar. Eu não tenho o direito de reclamar da minha vida, só porque as coisas não acontecem da maneira que eu quero.
      Indo pra escola hoje de manhã, sozinha e de ônibus. Sem a companhia do meu pai e o carro quentinho. Mas tudo bem, lá fui eu. Ontem eu havia ficado revoltada por uma coisa fútil e fui o caminho todo pensando nisso. Como eu gosto do frio! Mas eu quero mais frio que isso, porque as pessoas nunca estão satisfeitas. Bom, eu olhei um morador de rua e estava ali uma pessoa que tinha direito de reclamar da sua vida. Ele não tem nada, ele pode até ser uma pessoa boa e merecer algo melhor, mas no momento ele simplesmente não tem.
      E porque nós que temos tudo e não notamos temos que reclamar tanto? Eu sei, é normal isso acontecer, é normal a gente querer sempre mais do que tem, nunca estar bem com aquilo que se ganhou. É normal a gente reclamar de qualquer coisinha que acontece.
      Ainda mais eu, dramática a maior parte do tempo e exagerada em algumas coisas. A questão é que eu não quero mais ser assim, eu quero notar as coisas maravilhosas que eu tenho na minha vida e valoriza-las, ver que eu tenho tudo e estar feliz com o tudo que tenho. Não vale a pena perder tempo reclamando, sendo que eu tenho uma família, uma casa, amigos. Eu simplesmente tenho a VIDA, que foi feita pra se viver.
      Olhe em volta, olhe a sua vida e veja como você tem muito mais motivos pra sorrir do que pra reclamar, certas coisas não valem a pena. Mesmo com muitos problemas, sempre tem algo que nos faça sorrir, prenda-se nisso e seja feliz.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vou em frente

      Voltando pra casa do colégio, parei no portão do condomínio e o esperei abrir. Hoje foi uma manhã em que eu acordei com sono e sem vontade de sair, mas o frio me deixa tão bem, que eu levantei e fui. Na volta, Com o casaco na mão e a bolsa caindo do braço, fiquei andando de um lado para o outro, qualquer segundo esperando o portão abrir parece uma eternidade.
      Quando finalmente abriu, entrei e um gurizinho, com uns cinco anos e o uniforme da creche veio saltitante para o meu lado. Começou a falar, falar e falar. Comecei a rir e a responder, levando a sério o que ele me dizia. Ele não parou de pular um minuto sequer do trajeto da portária até o prédio em que ele entrou. Nesse caminho encontramos uma senhora e eu sorri para ela, uma forma educada de cumprimentar. Ela continuou me encarando com a cara fechada, tudo bem, ninguém é obrigada a sorrir de volta.
       Ele parou de pular, me deu um tchau rápido e saiu correndo, e eu fiquei olhando a porta e rindo, crianças são tão felizes. Porque quando crescemos simplesmente paramos de ter essa alegria contagiante 24h por dia? Porque sinceramente, eu nunca vi uma criança realmente triste. Ela pode estar machucada, mas uns minutos depois já quer ir brincar. Você pode te-la xingado, mas um tempo depois ela já vai querer ir correr com você. 
      Acho que a cada fase da nossa vida, quanto mais vamos descobrindo da vida, mais as pessoas se decepcionam. Só que a vida não é feita só de tristezas, não é feita só de decepções. Mas é incrível a nossa mania de ver só o lado ruim das coisas!
      Tudo tem um porque de acontecer e tudo vai ter seu lado bom e ruim. Tudo nos faz aprender algo. Sabe, eu gosto tanto da frase da música do forfun: "por mais que a chuva venha, sempre tem um céu azul". E a vida é realmente assim, pessoal. Uma hora a gente ganha, outra a gente perde. É um ciclo que nunca vai se romper. O importante é saber ver o lado bom e acreditar e lutar por um céu azul.

Trecho 2

[...] “O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções”.
      Faz, sim, todo o sentido. Na hora da saudade, da tristeza, do desamparo, é com ele que contamos: o tempo. [...] No entanto, tudo o que nos invadiu com intensidade, tudo o que foi realmente verdadeiro e vivenciado profundamente não passa. Fica. Acomoda-se dentro da gente e de vez em quando cutuca, se mexe, nos faz lembrar da sua existência. O grande segredo é não se estressar com este inquilino incômodo, deixá-lo em paz no quartinho dos fundos e abrir espaço na casa para outros acontecimentos.[...]

*Trecho retirado da crônica "O centro das atenções" - Martha Medeiros

domingo, 24 de abril de 2011

C.R.A.



"Se você abrisse sua mente, ela se esvaziaria.
E sabe o que o Universo faria? Ele a preencheria.
E tudo seria como deve ser."

Filme: Comer, rezar e amar.


We are who we are ♪

      Muita batata pra descascar, coisas pra se ouvir e resolver, tentar com que todo mundo fique bem, ter vontade de poder mudar as coisas só com o meu dedo, pra tudo tem uma crônica da Martha que explica, a maior questão da noite: quem vai dormir com o macaco?, noite das mulheres em que homens mudavam de sexo, os guris uma gracinha sendo obrigados a colocar vestidos, os meus meninos ali pra eu poder abraçar mesmo alguns sempre brigando comigo, a Fabiiola estava estava nos aguardando brother. A Hadija presente ali de cantinho em cima da mesa, umas rodadas de S ou C, cafufu e eu nunca. Muita risada, as pessoas que eu gosto, uma música qualquer no rádio, a mesa de sinuca, um filme, falas em inglês, o sono e o dia seguinte. Eu adoro essa função.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Guerreiros

      Cemitérios não são tão assustadores assim, aprendo isso cada vez mais. E não, eu não herdei a estranha mania da minha mãe de gostar de enterros. Cada vez mais eu vejo o quanto eu não gosto. Mas cemitérios são quase um ponto de paz no meio da cidade. Flores, histórias, o tempo e o silêncio.
      No Jazigo havia um epitáfio escrito "Guerreiros de boina azul não morrem, dormem pra sonhar com a paz". Acho que foi um das coisas mais bonitas que li, tão simples, em letra de forma, em uma pedra, mas tão significativa.

sábado, 16 de abril de 2011

O grito

Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra.
Ela sabe.
Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro.
Ele sabe.
Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio.
Sabemos, sim.
Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar esse grito com conversas tolas, elucubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe em nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita.
Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar esse amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle.
A verdade grita. Provoca febre, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona e finge esquecer. Mas há uma verdade única : ninguém tem dúvida sobre si mesmo.
Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz.
E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver!
Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto.
Sabe.
Eu não sei por que sou assim.
Sabe.



Martha Medeiros 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Por perto

     Incomoda-la sempre foi a minha diversão. Ela nunca fica realmente estressada comigo, ela sempre mantém a paciência, é assim desde a sétima série.
     Coloquei a folha da matéria em cima do caderno onde ela estava escrevendo.
     -Vê se a resposta tá aí - falei, só pra implicar.
     Daí ela pegou a folha e tirou calmamente para o lado e continuou escrevendo, daquele jeito calmo e pacifico dela, que ao mesmo tempo tem um tom indignado, acompanhado com ela me olhando com o canto do olho, como se reprovasse a minha atitude, mas ao mesmo tempo se divertindo. E eu adoro isso nela!
     -É por isso que eu te amo - disse pra ela e ri.
     -E é por isso, que é por isso que eu te amo. Entendeu? - respondeu-me.
     -Não -.
     -Eu te amo porque tu me ama por isso, pelas coisas mais simples -
     Tu consegues ser profunda em todos os mínimos detalhes do teu dia, BabyJubebs. Eu te amo por isso.
     

Sem medir o que pode falhar.

        A verdade é que em um tempo eu cheguei a pensar que nunca mais teria uma nova melhor amiga, devido aos momentos que eu já havia vivido com outra pessoa e as decepções com a mesma. 
     Então por talvez uma ironia do destino, eu ganhei um melhor amigo. Sempre confiei mais em mulheres, talvez porque a minha mãe tenha me passado isso. Mas com o tempo eu aprendi que todas as pessoas podem ser confiáveis.
     Eu nunca imaginei que aquele cara que eu conhecia a anos da praia ia se tornar alguém essencial pra mim, como ele é hoje. Pra mim não existe dúvidas, tu já marcou demais a minha vida, já me provou inúmeras vezes que é meu amigo, que é como um irmão.
     Sempre fui meio travada com as pessoas, na hora de dizer "te amo" ou qualquer outra coisa, demorava, tinha medo de confiar naquela pessoa e ela simplesmente sumir. Tu não sumiu, tá aqui e eu te considero uma das coisas mais importantes pra mim.
     Tu tens o teu jeito revoltado, sem coração, que só fala merda. Mas aí dentro cabe um coração enorme e existe uma pessoa carinhosa pra não dizer bixa haha. 
     A verdade é que tu é importante demais pra simplesmente sair da minha vida. Muitas vezes te ligar e conversar, te chamar no msn, te mandar mensagens e ver tua resposta, te abraçar era só o que eu precisava pra ficar em paz.
     Acho que tu me conhece o suficiente pra saber das coisas que eu sinto, eu sempre corro pra te contar. Se tu estiver bem, eu fico bem. Eu não quero que tu esqueça que eu to do teu lado pra tudo, em todo momento. Não deixa o tempo te levar de mim! Melhor amigo <3

Nos meus braços


O meu gostar por você chegou a ser amor, pois se eu me comovia vendo você, pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo, meu Deus...como você me doía! De vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno, bem no meio duma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta, mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme...só olhando você, sem dizer nada só olhando e pensando: Meu Deus, mas como você me dói de vez em quando! - Caio F. Abreu



"Eu já sabia o porquê dele estar assim. Não era difícil de adivinhar o que realmente derrubava aquele garoto. Mesmo assim, eu liguei, queria fazê-lo ficar bem a qualquer custo.
-É tão bom ouvir a tua voz - disse-me ele do outro lado.
Eu queria vê-lo, poder abraçá-lo e dizer que eu estava aqui, tudo ficaria bem. Hora, lugar, dois dias depois.
Havia algo que eu não poderia faltar, mas o encontraria mais tarde, o meu atraso só fez com que meu desespero aumentasse, eu tinha que ir logo, porque tinha que demorar tanto? O telefone tocou.
-Eu vou te esperar, só não demora - Era ele e eu sabia que realmente esperaria.
Ao chegar, procurei por todos os lados e só sosseguei quando encontrei os braços dele. Olhei aqueles olhos e vi ali algo profundo e horrível, poderia ser dor, dor de amor que não tem cura. O sorriso que eu tanto prezava já não aparecia ali fazia dias.
Não deu tempo de falar nada, simplesmente fomos afastados por nossos amigos, mas a gente teria tempo o suficiente mais tarde. E assim foi.
Enquanto todos jantavam, conversavam, riam e brincavam, nós nos isolamos. 
Te abracei e decidi não largar, queria te proteger de tudo aquilo que eu via ali, queria tirar aquilo de ti. Conversamos e com o passar do tempo eu te via sorrindo aos poucos, aquilo me fazia tão bem, teu sorriso me fazia tão bem.
Chegou a hora de ir embora e eu simplesmente não queria sair dali, era mais forte que eu ficar junto a ti. Na despedida, fui te abraçar e tu me beijou. Eu poderia explodir a qualquer momento de tanto que eu sorria por dentro, de quanto às malditas "borboletas no estômago" não me deixavam em paz.
-Eu achei que tu não falava sério quando disse que iria me esperar - falou-me ele me abraçando.
-Quem gosta.. faz isso. Do meu jeito, mas eu fiz. - respondi sentindo-me incapaz de dar qualquer outra resposta mais complexa. ”

As vezes eu percebo, que talvez a verdade seja que você ainda me dói.





domingo, 10 de abril de 2011

Fragmento

-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu.
[...]
-Mas não seria natural.
-Natural é as pessoas se encontrarem e se perderem.
-Natural é encontrar. Natural é perder.
-Linhas paralelas se encontram no infinito.
-O infinito não acaba. O infinito é nunca.
-Ou sempre.

Fragmentos do texto "O dia que Júpiter encontrou Saturno" - Caio F. Abreu

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Haikai

Frágil é o silêncio:
Uma palavra apenas
Pode destruí-lo


          Kátia E. C. Cornélius - Poemas de ônibus 2010.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Verão.

      -Sabe o que eu tenho aqui? - A Jé me perguntou no msn.
    -O que? 
    -Doritos Dippas com molho de chaddar - Repondeu-me ela e já começou a rir -Lembrei de ti, da Gabi e da Gio -.

      E daí me de uma saudade do verão. De chegar do centro de atlântida, pegar o mercadinho de CN abrindo, comprar porcarias pra comer, sentar no quarto da ponta, abrir a sacada, olhar o amanhecer, ver a vizinha da frente preparando o café dela na mesa, onde normalmente sentava com o marido ou sozinha, comentar sobre a noite.
      Deu saudade de abraçar o melhor amigo todo dia, de todas as noites loucas, do verão no geral. De descer para o redondo que estava sempre vazio, de ir jantar um crepe, das risadas que só a gente conseguia dar, da paciência do Léo nos levando pra lá e pra cá, da Gabi surtando quando tocava like G6 ou shine forever.
      Teve o meu aniversário e a surpresa que a Gabi, o Léo, a Carol e a Gio fizeram pra mim, que foi linda! O planeta com os melhores shows.
      Daí veio o carnaval em Capão. Na casa da Thalita com a Ju, gritando Paulo, bebendo, saíndo de carro, a pé, invadindo o deslife de carnaval sem notar, indo até atlântida e voltando no mesmo pique, sem parar um minuto. As concentras antes de sair com as pessoas que tornaram o meu verão, a melhor época.
     Ahh o verão...
      

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sempre será

      -Ai mãe, vamos nos mudar, fugir do mundo, ir pra outra cidade - falei logo depois da janta.
      -Acho que a gripe ta afetando o teu cérebro - respondeu-me ela. (quem disse que mãe canceriana é delicada, quem quem?)
      -AAAI mãe - Coloquei a cabeça no colo dela.
      -O que tiver que ser, assim será.. Vai acontecer sei esperar - Cantarolou ela pra mim enquanto fazia um cafuné.
      - Quem quer receber, tem que se dar (8) bem pra ti - falou minha irmã da sala, continuando a música.-Mas não leva tão ao pé da letra - riu-se ela.
      
      Vocês sempre sabem de tudo sem nem ao menos eu precisar falar. Não adianta, vocês são as melhores do mundo.

sábado, 2 de abril de 2011

Identifique-se

"Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”


Caio Fernando Abreu