quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Me deixa aqui a toa

     Sentei no sofá e olhei em volta, Thalita veio em minha direção e soltou uma risada "olha só pra ti". Não me contive, comecei a rir enquanto ela me mandava parar sem sucesso, rindo junto. Me escondi atrás da Jessica, senti vergonha por um minuto por achar tudo aquilo engraçado, sendo que talvez não tivesse graça alguma.
     Levantei e fui respirar, com minha amiga no meu encalço. Cada riso que ela soltava me olhando, era mais um motivo pra rir. "O estomago ta doendo de tanto rir, né?" questionou-me ela. Eu já me contorcia de rir com aquela situação e só concordei, não parei sequer um minuto.
     Sensação libertadora, com a mente aberta, vontade de rir sem motivo certo, mas a verdade é que me fez respirar e sentir tudo melhor. Lembrei da época de criança, quando tudo são flores, tudo é simples, tudo é delicado, tudo é motivo de sorrir. Então pensei: porque o mundo tem que nos corromper tanto? Porque muitas vezes viramos adultos tão secos e egoístas? Porque não levamos melhor tudo o que acontece na adolescência e tentamos criar um lugar melhor? Nós somos o presente e principalmente o futuro.     
     Tentei voltar para dentro e por um minuto fiquei séria, mas então Thalita voltou a rir e eu desandei novamente. Sono, cansaço, concentrei-me no travesseiro e fechei os olhos. De volta ao mundo real.
     

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Guardado nas lembranças

     Abraçou-a de lado, não dava para chamar de desajeitado o modo como fez, pois ele parecia saber a forma mais confortável. Respirou perto de seu ombro, o suficiente para fazer com que ela se arrepiasse com o leve toque de sua respiração. A menina colocou a cabeça um pouco para trás, de uma maneira que conseguisse admirar aqueles olhos que tanto gostava. Então os dois ficaram simplesmente assim, deitados naquela sala cheia de lembranças, a mão dela afagava seus cabelos enquanto uma mão dele acariciava gentilmente as costas da garota e o olhar de ambos permanecia sustentado. 
     Existem coisas na vida que as pessoas custam a entender, como o coração parece parar em um momento que dura uma fração de segundo, mas é nesse momento que a memória pode se fixar.
     Ela perdeu as contas de quantas vezes o quis ao seu lado, quantas vezes imaginou como seria com ele lá. Tanta vezes ela quis o acolher em um abraço protetor, tantas vezes quis fazê-lo sorrir, para fazer parte daquela felicidade. Tantas vezes ela tentou protegê-lo do mundo, só para olhar naqueles olhos e ver a paz.
     Realmente, tantas foram as vezes, mas do que adiantou? A vida é muito diferente do que imaginamos e ela sempre acaba dando um jeito de surpreender. Acaba colocando no teu caminho, quem já tem o caminho traçado com outro alguém.
     

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Enquanto a chuva dissolve a cidade

-Porque a risada? - perguntou-me após uns minutos de silêncio.
-Porque é engraçado ver como algumas coisas não mudam.
     Tudo bem que nós mudamos, o tempo levou algumas coisas, mas realmente era engraçado ver que eu confiava e me sentia bem com ele mesmo depois desse tempo todo. Havia algo diferente nele e em mim também. Mesmo assim, eu via naquele olhar a mesma coisa de sempre, a mesma situação, a mesma garota em quem ele pensava mesmo quando queria esquecer.
     Deitar na sala céu e passar uma noite conversando sobre tudo que havia acontecido nesse um ano. Era isso que não havia mudado, eu sentia vontade de contar as coisas e pelo visto, ele também. Era saudade dessas conversas que eu sentia principalmente. Dos pensamentos compartilhados, dos abraços dados e da sinceridade que parecia fluir.
     Mesmo estando diferente, eu me sinto bem com ele de uma forma que nenhum dos que passaram na minha vida esse ano conseguiram me fazer sentir. Eles não passaram de desculpas, de pretextos pra eu ocupar a minha mente. Demorei pra perceber que não precisava disso.
-No que tu ta pensando?
-Que eu to com dor na perna. E tu? - respondi rindo.
-Tentando imaginar o que tu tava pensando.
     Enquanto andava até em casa, eu percebi o que havia mudado. Eu poderia sentir saudade, mas eu aprendi a lidar com isso. Dizem que quando algo é verdadeiro, o tempo não te deixa esquecer completamente. Quem sabe eu esteja aprendendo o valor dessa palavra, quem sabe eu tenha tirado algumas lições disso. Não é a mesma coisa que eu sentia, mas eu ainda sinto algo.